Foto de uma tela de computador com os logos das empresas Idea! e PITEC

PITEC, do grupo Idea!, fornece ao Laboratório Nacional de Luz Síncrotron detectores de raios X, usados na geração das imagens analisadas pelos cientistas

Texto: Caroline Roxo | Foto de capa: Pedro Amatuzzi

A trajetória de criação da empresa PITEC pode ser descrita como o sonho de muitos empreendedores: inserir-se no mercado como parceiro de um centro de pesquisa e desenvolvimento tecnológico de alta performance, como o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM)

Empresa-filha da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e instalada no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, a PITEC surgiu em 2017 para assumir o desenvolvimento e a produção dos detectores de raios X utilizados nas pesquisas científicas do acelerador de partículas de luz síncrotron do Brasil. Os equipamentos são essenciais para a realização dos experimentos científicos que são executados no Sirius em Campinas, como o estudo de estruturas moleculares que podem ajudar no desenvolvimento de medicamentos contra graves doenças.

A parceria firmada entre a PITEC, do Grupo Idea!, e o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) envolveu esforços de ambos os lados. Enquanto a empresa entrou, principalmente, com a parte tecnológica, o Sirius ofertou conhecimento físico e científico do processo. De acordo com Paulo Bertolo, diretor de operações da PITEC, a equipe do Sirius, desde o início, identificou a empresa como um know-how (conjunto de conhecimentos técnicos e práticos) com toda a competência e qualidade de especialistas que eles necessitavam para o desenvolvimento dos detectores. “Éramos e ainda somos capazes de oferecer todas as tecnologias que o nosso principal parceiro, o Sírius, precisa", expõe. 

Essa parceria foi impulsionada e viabilizada pela presença da PITEC dentro do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, gerenciado pela Inova Unicamp e vizinho do acelerador de partículas. “A presença da empresa no Parque foi e ainda é vantajosa e fundamental para facilitar as operações. Além da infraestrutura disponível, a proximidade com o nosso principal cliente, o Sirius, e com o Instituto Eldorado, parceiro no desenvolvimento do produto, tornou a produção dos equipamentos ainda mais viável”, afirma Bertolo. 

Homem de costas sentado em uma cadeira trabalhando em uma sala com aparelhos eletrônicos.
Sala de trabalho da PITEC no prédio Soma do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp | Imagem: Pedro Amatuzzi

Após dois anos de desenvolvimento assíduo, a empresa entregou o protótipo final do produto e, com a aprovação do equipamento, foi produzida toda uma linha de detectores de raios X, chamada PIMEGA, que hoje contam com cinco modelos de detectores disponíveis às necessidades dos clientes. Esses equipamentos destacam-se por apresentarem inovação tecnológica em comparação ao mercado concorrente, oferecendo dois recursos essenciais para um gerador de imagem: alta resolução e maior quantidade de imagens geradas por segundo. 

“Podemos gerar até 2 mil imagens por segundo, em alta resolução. Além de ser um detector de área larga, permitindo a geração de imagens em escalas nanométricas, capazes de estudar estruturas moleculares e atômicas", diz Bertolo.

Imagem de alta resolução e de tamanho ampliado gerado pelo equipamento da linha PIMEGA no Sirius | Imagem: Reprodução Sirius

Detectores PIMEGA

Os detectores de raios X desenvolvidos pela PITEC são utilizados na última etapa dos acelerados de partículas, dentro de laboratórios de pesquisa (linhas de luz) que estão tangentes ao formato circular do acelerador de partículas. Quando as amostras em estudo são expostas ao feixe de luz, a imagem dessas estruturas é refletida nos detectores. A partir de então, os cientistas conseguem realizar os estudos dessas partículas, como por exemplo avaliação de rochas, solos, proteínas e novos materiais. “Nós dizemos que os detectores são os olhos dos cientistas”, comenta Bertolo. 

Detector de raios X desenvolvidos pela PITEC em conjunto com o Sirius | Imagem: Reprodução Sirius

Além dessa aplicação para a geração de imagens nos resultados da aceleração das partículas, por conta da tecnologia inovadora dos equipamentos da linha PIMEGA, é possível utilizar a tecnologia desenvolvida nos detectores para outras áreas e finalidades. Alguns exemplos de aplicações estão nos equipamentos médicos de raios X, na área da saúde ou então na área industrial para análises de materiais. 

Perspectivas para o equipamento

Os detectores de raios X da linha PIMEGA, frutos da parceria entre a empresa e o Sirius, já possuem perspectiva de exportação. O diretor de operações frisou o interesse da PITEC em exportar o produto, além de afirmar a existência de potenciais clientes. “O que começou de um desenvolvimento científico e tecnológico, hoje temos um produto tão evoluído ao ponto de poder ser usado em outros aceleradores de luz ao redor do mundo”, evidencia Bertolo.

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