Da esquerda para a direita está Aureliano Dias vestindo um jaleco branco e Manuel Barrales usando também um jaleco branco. Eles estão no laboratório da Kalamazoo, empresa-filha da Unicamp, mostrando os produtos de lúpulo que estão em desenvolvimento.

O Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas já apoiou diversas startups filhas da Unicamp no desenvolvimento de negócios 

Texto: Caroline Roxo | Foto de capa: Arquivo Pessoal Aureliano Dias

O Brasil é um dos países onde mais nascem novos negócios do mundo. De acordo com pesquisa realizada anualmente pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM), em tempos de recessão, como da pandemia do coronavírus, o país presencia a criação de ainda mais novos empreendimentos. No entanto, para a empresa ser sustentável financeiramente e se estabelecer no mercado, são necessários recursos e conhecimentos empreendedores, principalmente no que tange empreendimentos de base tecnológica.

Diante dessa necessidade de orientação e fomento, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) oferece por meio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) recursos para empreendedores investirem na execução de pesquisa científica e/ou tecnológica em pequenas empresas. Por meio desse incentivo é que mais de 10% das empresas-filhas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) conseguem desenvolver suas atividades e seguirem com atualizações e melhorias. 

Recursos que impulsionam empresas-filhas

 

Muitas delas passaram por orientações da Agência de Inovação da Unicamp (Inova), seja pelo semestral Workshop PIPE Fapesp voltado a todos interessados em submeter projetos no PIPE e que desejam conhecer boas práticas de redação do projeto (o próximo treinamento está com com inscrições abertas até o dia 11 de agosto, (saiba mais aqui) ou pelas capacitações oferecidas via Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp) do Parque Científico e Tecnológico da Universidade.

Esse último exemplo é o caso da empresa-filha Kalamazoo Natural Solutions, incubada na Incamp e fundada pelos alunos do doutorado na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp Aureliano Dias e Manuel Barrales, que destacam a importância da incubação e do investimento PIPE para rodar o negócio que usa de tecnologia para fornecer insumos nacionais para o mercado de cervejas artesanais.

Quando entrou em seu doutorado na Unicamp, Aureliano Dias era também cervejeiro e carregava o desejo em empreender. A partir de seus conhecimentos teóricos e de sua experiência produzindo cervejas, Dias identificou que as principais empresas que comercializavam lúpulo no mundo não estavam no Brasil. Juntamente com outras oportunidades identificadas no mercado nacional de insumos cervejeiros, o pesquisador tirou do papel seu projeto de empreendedor no setor.

Sobre o PIPE-FAPESP

 

O PIPE FAPESP é um recurso de aporte financeiro e teórico para apoiar a execução de pesquisa científica e tecnológica em micro, pequenas e médias empresas. Os interessados submetem projetos ao PIPE e são avaliados por uma banca especializada. Na Fase 1 do programa é previsto financiamento no valor de duzentos mil reais, enquanto na Fase 2 o investimento pode chegar ao valor de até um milhão de reais. 

“O nosso primeiro projeto foi aprovado e passou pelo PIPE Fase 1, no qual pudemos desenvolver os nossos primeiros protótipos e o modelo de negócios da startup Kalamazoo. Neste momento, estamos testando o uso dos primeiros protótipos com cervejarias parceiras da região de Campinas ”, conta Dias.

Apesar do PIPE se destacar pelo recurso monetário oferecido, o Programa também é referência em aproximação com pesquisadores e conhecimentos de empreendedorismo. Dias, sócio-fundador da Kalamazoo, explica que o modelo de negócio da startup pode ser aperfeiçoado durante o treinamento PIPE Empreendedor da FAPESP: “Participamos do treinamento e pudemos elaborar nosso modelo de negócio, além de impulsionar a nossa startup com visão de nicho de mercado e aumentar o nosso networking com potenciais parceiros e novos clientes”.

Possibilidade de mais investimento

 

A Kalamazoo, incubada na Incamp e residente do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, já recebeu o PIPE Fase 1 em seu primeiro projeto e pretendem expandir para um financiamento na Fase 2, que está em avaliação neste momento pela Fapesp, devido aos resultados de efetividade e excelência já obtidos.

Da esquerda para a direita - lúpulo em flor, lúpulo em pellets e extrato de lúpulo em desenvolvimento pela Kalamazoo.
Da esquerda para a direita - lúpulo em flor, lúpulo em pellets e extrato de lúpulo em desenvolvimento pela Kalamazoo | Imagem: Arquivo Pessoal do Aureliano Dias

“Nossos produtos são a base de lúpulo, mas com o diferencial de utilizarmos tecnologias capazes de separar os componentes do lúpulo e termos maior aproveitamento e potencialização do uso desses compostos, relacionados ao aroma, sabor, amargor e atividades biológicas do lúpulo”, explica Dias.

Os sócios-fundadores também tiveram um segundo projeto da startup aprovado no PIPE Fase 1, aceito para ser iniciado no segundo semestre de 2021. “Com todo aporte teórico sobre empreendedorismo e potenciais clientes que recebemos em nosso primeiro projeto com apoio PIPE, percebemos que podemos produzir e desenvolver mais negócios nesse nicho, baseados em verificação no mercado aliado a pesquisa cientifica”, afirma Barrales.

Aproximação com a Unicamp

 

O programa PIPE-FAPESP foi e está sendo um recurso que tornou viável o desenvolvimento da empresa-filha incubada na Incamp Kalamazoo. Além disso, a inserção na comunidade da Universidade e a aproximação com o corpo de pesquisadores da Unicamp também é um suporte para os recém-empreendedores. “Recebemos assistência dos grupos de pesquisa coordenados pelos professores Julian Martinez, Maria Angela Meireles e Luiz Henrique Fasolin, Mauricio Ariel Rostagno e Antonio José de Almeida Meirelles, Tom Zé, atual reitor da Unicamp”, enfatiza Barrales sobre a importância de se estar no ecossistema da Universidade. 

Para ser uma empresa-filha da Universidade e integrar a comunidade da Unicamp, é necessário que os empreendimentos tenham sido graduados na Incamp ou fundados por ex-alunos, pesquisadores ou funcionários da Unicamp. Essas empresas são cadastradas na base da Inova Unicamp e podem usufruir dos benefícios oferecidos aos empreendimentos filhos da Universidade. Alem de ser possível estabelecer contato e potencializar negócios entre as próprias empresas-filhas.

Caso você esteja empreendendo e tenha algum vínculo com a Universidade Estadual de Campinas, faça o cadastro gratuito da sua empresa em nossa base e participe desse ecossistema. Acesse:

https://www.inova.unicamp.br/empreendedorismo/cadastro-de-empresa-filha/